A vida no espelho-mundo

Felipe C. Aguiar
felipeaguiar@id.uff.br

Encontro-me em frente ao espelho.
Vejo-me inteiramente, em unidade comigo mesmo.
Espere! Outros começaram a aparecer no meu espelho.
De corpo a corpo.
De lugar a lugar.
De pouco a pouco meu espelho tonar-se um mural de fotos, com pessoas momentizadas em minha vida.

O espelho, já mural, confunde-se com a vida no mundo à medida que sou forçado a olhar para estes outros que invadem meu espelho, sem minha vontade.

O mural agora me perturba.
Me entristece por alguns momentos que me faz lembrar.
Me causa escárnio por algumas pessoas que me faz olhar, forçosamente.

O mural assume a forma da vida mundana à medida que me impõe a sua medida.
Me faz viver de modo inautêntico e não ser o dono de todas as coisas, se é que isso é possível.

No agora, vivo no mural, no meu, no mural dos outros, também. No agora, vivo no mural que é a vida, buscando me ensinar coisas que eu insisto em não aprender.
__________
¹ Estes caminhos foram pensados e abertos por veredas vividas pela amiga Anniele Freitas. Palavras narradas com o objetivo de acalmar a confusão que os espelhos-mundo fazem conosco.

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